
Na semana passada deparei com uma cena surpreendentemente preconceituosa na academia que costumo fazer atividades físicas, considerada por muitos ”O Templo da Beleza”, onde pessoas com um nível cultural e social elevado freqüentam e das quais se espera um convívio “saudável”.
Eu estava sentado em um aparelho para exercitar as pernas e ao meu lado, um homem metrossexual medindo aproximadamente 1,90, vestindo um shortinho, camiseta regata, toalha pousada no ombro com jeito fino e educado.
Prestava mais atenção em quem passava ao invés de se concentrar no treino, além de levantar a todo momento para se olhar no espelho e ter certeza que sua postura pomposa estava ok.
A cada intervalo dava uma espreguiçada e foi num desses que veio se aproximando uma garota negra, de estatura média e aparência simples para usar o mesmo aparelho que o homem narciso ocupava.
Subitamente e em tom ríspido ele chamou a atenção da garota impedindo que ela dividisse o mesmo espaço – e isso, boa parte dos frequentadores que estavam ali presenciaram. Eu me espantei com a situação vendo-a com os olhos arregalados, pois não esperava uma atitude tão preconceituosa e estúpida num ambiente onde todos vão em busca do mesmo propósito.
A atitude chocante morreu ali, pois a garota não quis criar caso e rapidamente escolheu outro aparelho. Minutos depois já fazendo outro exercício me senti impressionado com o ocorrido, ouvindo também outras pessoas comentando de forma discreta a grosseria daquele “pobre” ser humano.
Mas o desfecho é: ninguém fez nada e o templo da beleza exterior segue intacto e com os músculos fortes e seu rosto seco sem suor.
Eu horas depois continuei incomodado pensando, quando será que as pessoas freqüentarão a academia do bom senso e respeito ao próximo?